segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tudo junto e misturado

Jorge Fossati conversou com Yeda Crusius, que deu dicas a Dunga, que cochichou a Maradona, que, penso eu, atravessou o Prata e falou para Pepe Mujica: vai que é tua, ancião. Essa cadeia de nomes em conjunto sinfônico denota um fim fadadiano, nos melhores moldes de Branca de Neve ou, quiçá, Cinderela. Para sorte de Mujica, Yeda foi, de uma paulistana esquecida nos veículos piratas a espera de uma concessão, jogada num Congresso de usurpadores, a uma governadora do Rio Grande do Sul. O destino traçou a ela uma comunicação XAVERIANA com o futebol, trazendo até os pagos dos pampas um treinador de sua envergadura política: Jorge Fossati. O uruguaio encostou sua íris em solo errado; uma terra onde a imprensa é o executivo, a direção de futebol é o legislativo e torcida o judiciário. Perdeu o contato com a torre logo nos primeiros dias, ao escalar três zagueiros em amistoso com o ESPORTIVO. Para sorte de Mujica, Fossati foi demitido antes de iniciar a Copa do Mundo, havia cronologia suficiente para o uruguaio interpelar Dunga antes de rumar à África do Sul para atear fogo no brio de jornalistas que não freqüentaram uma faculdade, e sim uma CEITA desconhecida, onde quem sai de tal é alcunhado de Deus para cima. Dunga é contemporâneo de Maradona que, para sorte de Mujica, lutaram juntos por nações diferentes. Uma diferença de oito anos o separam da glória, atingida por ambos. Provocações não há entre os dois. Há muito respeito, e cochicho. Dunga deixou VAZAR seus espírito de recalque da imprensa à Maradona, que, depois de atropelar um fotógrafo apegado a labirintite, aprendeu a aceitar o poder de um microfone. Deus que é, mesmos não freuqentando a ceita dos jornalista pagãos, Maradona prenunciou a Mujica: “Essa taça é tua, boludo”. Mujica está em seu recanto rural só aguardando o momento certo de pegar seu JIPE e ir até a Praça Independência para comemorar o TRI. Depois de 60 anos, as coisas voltam ao seu lugar. A raça charrua volta a mostrar que a cor do céu a eles pertence, a eles ilumina. Que futebol se faz, também, com política. Política de enfrentar as dificuldades com a lapela erguida, sem esmerar-se a infertilidade do solo ou com jejum de Libertadores da América. Com a interferência de Yeda, Fossati, Dunga e, principalmente, de Maradona, o Uruguai vai erguer pela terceira vez a taça que de lá nunca deveria ter saído. E, no fim, todos ficarão felizes. Principalmente Maradona, fanático de esquerda e admirador dos Tupamaros. Mujica é um homem de sorte.

Aguante,
Rodrigo Azevedo

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