O momento é de atenção: Publicidade e política caminham cada vez mais de mãos dadas em nosso país. Se por um lado os Governos investem mais e mais em propaganda para ajudar na construção e consolidação de imagens positivas de suas administrações, por outro, postulantes aos cargos que têm o poder de Executar e Legislar tentam criar para si imagens de verdadeiros salvadores da pátria.
Marqueteiros são peças chaves nas campanhas eleitorais atuais, afinal como diz a música A PROMESSA de Humberto Gessinger (HG) “propaganda é a arma do negócio... no nosso peito bate um alvo muito fácil”. Acompanhando a corrida presidencial verifiquei que o Governo Federal irá aumentar em 20% o seu gasto publicitário nesse ano comparado ao que gastou em 2009, fato esse que é contestado pela oposição que alega ser irregular essa ação, pois em ano de eleição não se pode aumentar o valor investido nessa área mais do que se empregou no ano anterior a ele ou a média utilizada nos três anos que precederam a esse mesmo. Regular ou não, concretamente o que ocorre é que a base governista tenta supervalorizar projetos e programas que lidera (PAC – Programa de Aceleração do Crescimento - é um exemplo) e tenta vinculá-los à imagem da atual MINISTRA DE FERRO e futura candidata PAZ e AMOR, Dilma Rousseff. Será que desta vez os gurus da publicidade encontrarão a fórmula ideal para promover a candidata petista ao ponto de elegê-la? Competência à parte sabe-se que uma propaganda eficiente pode encurtar o caminho para a eleição de um candidato.
Durante a corrida eleitoral uma enxurrada de dados nos serão transmitidos como sendo verdadeiros. Alguns partidos afirmarão que em oito anos realizaram 1.000 obras, assentaram 1.000 famílias de sem terras e fizeram mais “n” realizações. Enquanto outros dirão que executaram no mínimo o dobro dessas mesmas coisas. Utilizo-me mais uma vez das palavras de HG que na música NÚMEROS escreveu “e eu com esses números?”. Palavras essas que sintetizam, para mim, o quanto esses dados servem apenas para confundir, até mesmo manipular, os eleitores. O que me preocupa é a inércia de muitas pessoas em procurar descobrir a veracidade desses fatos, para muitas delas aquele que demonstra mais poder de coerção tem a verdade para si. A oposição que não é boba e está tentando não dormir no ponto, já elabora seus dados para “informar” a população do que ela é capaz de fazer (ou já fez) e que a situação não tem competência para fazê-lo. O PSDB, principal partido oposicionista e que lançará candidato próprio na disputa presidencial, vai aumentar o valor empregado em publicidade com relação ao último pleito. Além disso, propagandas de Estados estratégicos na campanha governados pelo partido (São Paulo e Minas Gerais) estão sendo veiculadas em todo o país, elas que na sua maioria transmitem a ilusão de que esses locais são maravilhosos para se morar devido à quase perfeita prestação de serviços nas áreas de saúde, de educação, de segurança, entre outras. Esses lugares podem realmente ser muito bons para se viver, mas a excelência desses serviços na área pública, que tem a fama (pra ser suave) de não funcionar direito, é difícil de confiar. Será que alguma criatura acredita verdadeiramente nessas propagandas? Incrivelmente a resposta é sim. Há pessoas que se deixam levar apenas por essas informações superficiais passadas em aproximados 60 segundos, por isso a importância elevada, para os partidos políticos, de se investir nesse segmento.
Mas será a publicidade a grande vilã nesse contexto? Será que os Governos, os partidos e os candidatos agem com ética quando trabalham essa questão? As conclusões parecem óbvias, não há mocinhos no assunto. O certo é que quando os elementos POLÍTICA e PUBLICIDADE se juntam há inúmeros interesses em jogo, só que infelizmente os da população não são muito escalados para jogar, o que na indignação e na falta de palavras me fazem utilizar mais um verso escrito pelo HG para dar fim a este singelo texto: “nossos sonhos são os mesmos há muito tempo... mas não há mais muito tempo pra sonhar” (música Revolta dos Dândis II).
Dale,
Diego Santos


