quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Brasil é todo seu!

Inclusive dele


O momento é de atenção: Publicidade e política caminham cada vez mais de mãos dadas em nosso país. Se por um lado os Governos investem mais e mais em propaganda para ajudar na construção e consolidação de imagens positivas de suas administrações, por outro, postulantes aos cargos que têm o poder de Executar e Legislar tentam criar para si imagens de verdadeiros salvadores da pátria.

Marqueteiros são peças chaves nas campanhas eleitorais atuais, afinal como diz a música A PROMESSA de Humberto Gessinger (HG) “propaganda é a arma do negócio... no nosso peito bate um alvo muito fácil”. Acompanhando a corrida presidencial verifiquei que o Governo Federal irá aumentar em 20% o seu gasto publicitário nesse ano comparado ao que gastou em 2009, fato esse que é contestado pela oposição que alega ser irregular essa ação, pois em ano de eleição não se pode aumentar o valor investido nessa área mais do que se empregou no ano anterior a ele ou a média utilizada nos três anos que precederam a esse mesmo. Regular ou não, concretamente o que ocorre é que a base governista tenta supervalorizar projetos e programas que lidera (PAC – Programa de Aceleração do Crescimento - é um exemplo) e tenta vinculá-los à imagem da atual MINISTRA DE FERRO e futura candidata PAZ e AMOR, Dilma Rousseff. Será que desta vez os gurus da publicidade encontrarão a fórmula ideal para promover a candidata petista ao ponto de elegê-la? Competência à parte sabe-se que uma propaganda eficiente pode encurtar o caminho para a eleição de um candidato.

Durante a corrida eleitoral uma enxurrada de dados nos serão transmitidos como sendo verdadeiros. Alguns partidos afirmarão que em oito anos realizaram 1.000 obras, assentaram 1.000 famílias de sem terras e fizeram mais “n” realizações. Enquanto outros dirão que executaram no mínimo o dobro dessas mesmas coisas. Utilizo-me mais uma vez das palavras de HG que na música NÚMEROS escreveu “e eu com esses números?”. Palavras essas que sintetizam, para mim, o quanto esses dados servem apenas para confundir, até mesmo manipular, os eleitores. O que me preocupa é a inércia de muitas pessoas em procurar descobrir a veracidade desses fatos, para muitas delas aquele que demonstra mais poder de coerção tem a verdade para si. A oposição que não é boba e está tentando não dormir no ponto, já elabora seus dados para “informar” a população do que ela é capaz de fazer (ou já fez) e que a situação não tem competência para fazê-lo. O PSDB, principal partido oposicionista e que lançará candidato próprio na disputa presidencial, vai aumentar o valor empregado em publicidade com relação ao último pleito. Além disso, propagandas de Estados estratégicos na campanha governados pelo partido (São Paulo e Minas Gerais) estão sendo veiculadas em todo o país, elas que na sua maioria transmitem a ilusão de que esses locais são maravilhosos para se morar devido à quase perfeita prestação de serviços nas áreas de saúde, de educação, de segurança, entre outras. Esses lugares podem realmente ser muito bons para se viver, mas a excelência desses serviços na área pública, que tem a fama (pra ser suave) de não funcionar direito, é difícil de confiar. Será que alguma criatura acredita verdadeiramente nessas propagandas? Incrivelmente a resposta é sim. Há pessoas que se deixam levar apenas por essas informações superficiais passadas em aproximados 60 segundos, por isso a importância elevada, para os partidos políticos, de se investir nesse segmento.

Mas será a publicidade a grande vilã nesse contexto? Será que os Governos, os partidos e os candidatos agem com ética quando trabalham essa questão? As conclusões parecem óbvias, não há mocinhos no assunto. O certo é que quando os elementos POLÍTICA e PUBLICIDADE se juntam há inúmeros interesses em jogo, só que infelizmente os da população não são muito escalados para jogar, o que na indignação e na falta de palavras me fazem utilizar mais um verso escrito pelo HG para dar fim a este singelo texto: “nossos sonhos são os mesmos há muito tempo... mas não há mais muito tempo pra sonhar” (música Revolta dos Dândis II).
Dale,
Diego Santos

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Abre teu olho, Lula


Já está mais do que LAPIDADA essa história de transferência de votos. O último e mais recente exemplo foi dado ontem, no segundo turno das eleições presidenciais chilenas. Eu e toda torcida do MENGÃO já sabíamos que o PAPADO de Bachelet acabaria nesse último domingo, consolidado pela queima de fogos do magnata Sebastián Piñera, o Berlusconi das américas. Bachelet saiu do governo com nada mais nada menos que 80% de aprovação e uma popularidade de dar inveja a qualquer BBB e sua efemeridade congênita. No entanto, toda essa POMPA não atraiu os olhares dos eleitores chilenos que ontem acabaram com os 15 anos de predomínio centro-esquerdista no país andino. Desde o fim da ditadura do mentor da Operação Condor, Augusto Pinochet, o Chile não era governado por um partido de coalizão direitista, com políticos que participaram efetivamente da ditadura feroz de Pinochet.

Além de informar ao COLEGIADO o resultado das eleições de ontem, venho aqui expor minha PREDISPOSIÇÃO contrária a candidata Dilma Rousseff. Getúlio Vargas não transferiu votos. Brizola, tampouco. Nem o Mandela conseguiu essa façanha. Mas, como diria minha babá (Dona Aida, que Deus a tenha) “A merda já está feita”. Lula dormiu no ponto e teve receio de enfrentar uma opinião pública contrária ao terceiro mandato. Agora, os prejudicados serão nós. Isso será notado quando entrar um em campo toda TRUPE neo-liberal do PSDB, elevando as taxas de juros, endividando os estados e pouco se lixando para as políticas sociais.

Por mais dor que nos cause a mais breve das separações, é meu dever informar que procederei com um breve RECESSO. Porém, sempre estão por aí nossos REBELDES apresentando-se com textos de ROBUSTOS prazeres da escrivinhação. Mais adelante retorno, esmirilhando na arte da doce vivência.

Aguante,
Rodrigo Azevedo

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Para não perder o costume


"Toca um samba aí que eu vou me apaixonar..."

A chegada do ano novo, como de costume, traz consigo uma carga de esperança em um futuro melhor nas pessoas. Porém, uma pergunta pertinente a se fazer no momento é a seguinte: até quando essa durará?

O mês de janeiro com certeza nos ajudará a visualizar se a confiança dos indivíduos, viventes ou sobreviventes desta TERRA próxima do colapso, perdurará por muito tempo. Iniciarão, nesse mês, dois importantes eventos globais: O Fórum Econômico Mundial (FEM) e o Fórum Social Mundial (FSM). Aliás, o ano de 2010 marcará os 40 anos do FEM e os 10 anos do FSM. Ambos os fóruns têm o intuito de debater os diversos e mais complexos problemas existentes em nossas sociedades e encontrar soluções para os mesmos. A diferença é o ponto de vista de cada um, enquanto o primeiro analisa as adversidades através do enfoque econômico ou do capital, o segundo o faz, prioritariamente, pela perspectiva social.

Para a felicidade de alguns poucos, mas infortúnio de muitos, é no FEM que haverá, mais uma vez, a junção de idéias que influenciará grandes empresários e, também, muitos chefes de Estados a guiarem suas principais decisões sócio-econômicas a serem tomadas nas organizações e governos que lideram. “Melhorar o Estado do Mundo: Repensar, Redesenhar e Reconstruir” será a temática principal do encontro nesse ano. O inconveniente, para nós do terceiro mundo, é que após uma grave crise econômica as únicas coisas que as grandes corporações desejarão repensar, redesenhar ou reconstruir serão suas altas margens de lucros. Muitas empresas e governos, sempre que possível, demonstram ao mundo que ainda não estão muito dispostos a se comprometerem seriamente com os problemas sociais, mas sim com seus resultados financeiros exorbitantes. O exemplo mais recente desse descaso ocorreu na conferência do clima ocorrida na Dinamarca no fim do ano passado. São visíveis os estragos que o homem tem causado à natureza, esses impulsionados principalmente pela produção industrial, entretanto, para nossos governantes, medidas que possam minimizar isso não são prioritárias, o importante mesmo, para eles, é não prejudicar o crescimento econômico, custando isso o que custar.

Muito provavelmente em Davos, na Suíça, sede do principal encontro anual do FEM, os problemas sociais serão debatidos, se é que serão, na forma de estatística, sem emoção, nem sentimento por parte dos magnatas que lá se reunirão. É muito fácil olhar para um papel e ver, por exemplo, que no continente africano uma criança morre aproximadamente a cada cinco segundos devido a causas diretas ou indiretas da pobreza e não se sentir responsável por isso, mesmo possuindo a “faca e o queijo” na mão para mudar essa triste realidade. O dinheiro gasto com produtos de cosméticos na terra do Tio Sam já seria o suficiente pra diminuir a quase zero esse panorama cruel, mas pra que incentivar a redução de consumo desses bens, não essenciais, pra essa causa? Afinal eles têm uma importante tarefa a cumprir, que é a de perfumar nobres madames e amenizar o “cheiro podre” de seus maridos milionários e de suas decisões capitalistas.

Fazendo o contraponto aos que pensam em um mundo controlado pelos interesses do capital, os sonhadores de um mundo mais justo se reunirão, mais uma vez, entre outras cidades, em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial para tentar mostrar às pessoas que outro mundo é possível. Claro que há alguns figurões que de vez em quando dão o “ar da graça” nesse fórum, que nos fazem pensar se os nossos sonhos são os mesmos que os deles, como o fanfarrão Hugo Chávez e o nosso guerrilheiro do Araguaia, José Genuíno, por exemplo. Mas a eles resistimos. Com tortas nas mãos, ao invés de armas, não deixamos que façam nossas idéias terminarem em CHANTILLY. Por aqui, tão importante quanto os diálogos que acontecem no período do fórum para encontrar soluções para as adversidades e injustiças sociais, é demonstrar exemplos de ações e administrações sociais bem sucedidas que colaboraram para o fim de problemas dessa natureza ao redor do mundo.

Em Porto Alegre, no FSM, entre um diálogo e outro acontece a socialização da alegria, da cerveja gelada, da boa música, enfim: da sabedoria de se encarar de frente a dura realidade da vida. Não se trata de resignação ou acomodação, mas sim de VIVER.

Quanto à esperança em um ano melhor, em um mundo melhor, essa existe e acredito que perdurará ao longo de 2010. Mas tratando apenas da nossa aldeia, do nosso país, tenho a impressão de que além das decisões dos poderosos do mundo, um fato tão ou mais importante para se acreditar em dias melhores será o sucesso da seleção canarinho na copa do mundo, viva a “pátria de chuteiras”! Já as eleições ficam em segundo plano, aliás, como de costume.
Dale,
Diego Santos
Eis aqui o texto de estreia de um dos maiores talentos dessa PROVÍNCIA: Diego Santos, que passará a escrever corriqueiramente para este blog tão REQUISITADO pela sociedade civil, não só a organizada.