
"Toca um samba aí que eu vou me apaixonar..."
A chegada do ano novo, como de costume, traz consigo uma carga de esperança em um futuro melhor nas pessoas. Porém, uma pergunta pertinente a se fazer no momento é a seguinte: até quando essa durará?
O mês de janeiro com certeza nos ajudará a visualizar se a confiança dos indivíduos, viventes ou sobreviventes desta TERRA próxima do colapso, perdurará por muito tempo. Iniciarão, nesse mês, dois importantes eventos globais: O Fórum Econômico Mundial (FEM) e o Fórum Social Mundial (FSM). Aliás, o ano de 2010 marcará os 40 anos do FEM e os 10 anos do FSM. Ambos os fóruns têm o intuito de debater os diversos e mais complexos problemas existentes em nossas sociedades e encontrar soluções para os mesmos. A diferença é o ponto de vista de cada um, enquanto o primeiro analisa as adversidades através do enfoque econômico ou do capital, o segundo o faz, prioritariamente, pela perspectiva social.
Para a felicidade de alguns poucos, mas infortúnio de muitos, é no FEM que haverá, mais uma vez, a junção de idéias que influenciará grandes empresários e, também, muitos chefes de Estados a guiarem suas principais decisões sócio-econômicas a serem tomadas nas organizações e governos que lideram. “Melhorar o Estado do Mundo: Repensar, Redesenhar e Reconstruir” será a temática principal do encontro nesse ano. O inconveniente, para nós do terceiro mundo, é que após uma grave crise econômica as únicas coisas que as grandes corporações desejarão repensar, redesenhar ou reconstruir serão suas altas margens de lucros. Muitas empresas e governos, sempre que possível, demonstram ao mundo que ainda não estão muito dispostos a se comprometerem seriamente com os problemas sociais, mas sim com seus resultados financeiros exorbitantes. O exemplo mais recente desse descaso ocorreu na conferência do clima ocorrida na Dinamarca no fim do ano passado. São visíveis os estragos que o homem tem causado à natureza, esses impulsionados principalmente pela produção industrial, entretanto, para nossos governantes, medidas que possam minimizar isso não são prioritárias, o importante mesmo, para eles, é não prejudicar o crescimento econômico, custando isso o que custar.
Muito provavelmente em Davos, na Suíça, sede do principal encontro anual do FEM, os problemas sociais serão debatidos, se é que serão, na forma de estatística, sem emoção, nem sentimento por parte dos magnatas que lá se reunirão. É muito fácil olhar para um papel e ver, por exemplo, que no continente africano uma criança morre aproximadamente a cada cinco segundos devido a causas diretas ou indiretas da pobreza e não se sentir responsável por isso, mesmo possuindo a “faca e o queijo” na mão para mudar essa triste realidade. O dinheiro gasto com produtos de cosméticos na terra do Tio Sam já seria o suficiente pra diminuir a quase zero esse panorama cruel, mas pra que incentivar a redução de consumo desses bens, não essenciais, pra essa causa? Afinal eles têm uma importante tarefa a cumprir, que é a de perfumar nobres madames e amenizar o “cheiro podre” de seus maridos milionários e de suas decisões capitalistas.
Fazendo o contraponto aos que pensam em um mundo controlado pelos interesses do capital, os sonhadores de um mundo mais justo se reunirão, mais uma vez, entre outras cidades, em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial para tentar mostrar às pessoas que outro mundo é possível. Claro que há alguns figurões que de vez em quando dão o “ar da graça” nesse fórum, que nos fazem pensar se os nossos sonhos são os mesmos que os deles, como o fanfarrão Hugo Chávez e o nosso guerrilheiro do Araguaia, José Genuíno, por exemplo. Mas a eles resistimos. Com tortas nas mãos, ao invés de armas, não deixamos que façam nossas idéias terminarem em CHANTILLY. Por aqui, tão importante quanto os diálogos que acontecem no período do fórum para encontrar soluções para as adversidades e injustiças sociais, é demonstrar exemplos de ações e administrações sociais bem sucedidas que colaboraram para o fim de problemas dessa natureza ao redor do mundo.
Em Porto Alegre, no FSM, entre um diálogo e outro acontece a socialização da alegria, da cerveja gelada, da boa música, enfim: da sabedoria de se encarar de frente a dura realidade da vida. Não se trata de resignação ou acomodação, mas sim de VIVER.
Quanto à esperança em um ano melhor, em um mundo melhor, essa existe e acredito que perdurará ao longo de 2010. Mas tratando apenas da nossa aldeia, do nosso país, tenho a impressão de que além das decisões dos poderosos do mundo, um fato tão ou mais importante para se acreditar em dias melhores será o sucesso da seleção canarinho na copa do mundo, viva a “pátria de chuteiras”! Já as eleições ficam em segundo plano, aliás, como de costume.
Dale,
Diego Santos
Eis aqui o texto de estreia de um dos maiores talentos dessa PROVÍNCIA: Diego Santos, que passará a escrever corriqueiramente para este blog tão REQUISITADO pela sociedade civil, não só a organizada.
Um comentário:
Estreia digna do estouro de uma CIDRA.
Bem-vindo, Diegão!
Aguante!
Postar um comentário