terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O preço de não trabalhar um ano inteiro


Um deputado gaúcho não identificado enquanto ocorrem votações na Casa

Já estamos todos no espírito NOÉLICO e aguardando ansiosamente a virada de ano para o fim da primeira década desse novo milênio. No entanto, a Assembleia Legislativa tenta dar seu ar de OPERÁRIO e quer aparecer no holofotes nos fins do ano pré-eleitoral. Para esses dois últimos dias de trabalho, hoje (22) e amanhã (23), teremos que ver o Sim ou Não dos parlamentares sobre 90 NOVENTA projetos, só do Executivo são 26. Entre eles, os mais polêmicos: quatro projetos que modificam o salário e a contribuição previdenciária dos militares e dois que dão um UP nos vencimentos dos professores estaduais. Os outros são importantes, mas não ALIMENTAM as pautas da mídia tanto quanto esses citados anteriormente.

Agora, pergunte-se, caro leitor deste GARBOSO blog, porquê 90 projetos em dois dias sendo que tivemos mais de 120 sessões plenárias nesse ano de 2009? Eu vos respondo: por que cultivaram a cultura da VAGABUNDAGEM. Não há outra explicação. A Assembleia, desde o dia 3 de fevereiro, REGIMENTALMENTE abre sessões plenárias todas as terças, quartas e quintas. Toda sessão é aberta às 14h e se estende até o momento em que a Ordem do Dia (estabelecida na reunião de líderes, toda terça 11h) é APRECIADA. Ou seja, caros zebus, tivemos, esse ano, sem contar os feriados, 121 sessões plenárias. Tivemos 407 projetos de lei protocolados pelos deputados, porém, menos da metade foram votados. Isso sem contar os enviados pelo Executivo e que voltaram por não ter tido acordo com as bancadas partidárias. Assim não dá, assim não pode.

E agora, faltando dois dias para o recesso, que se estenderá até o fim do feriado de Navegantes, 90 projetos estão em pauta para votação. Desses 90, constam diversas categorias a serem apreciadas, inclusive os artistas gaúchos, que enfrentam problemas com a Lei de Incentivo à Cultura e Fundo de Apoio à Cultura há muitos anos. Uma das explicações, também, podemos DELEGAR ao ano pré-eleitoral. Muitas das Sessões ABERTAS (ui) não tiveram quórum. Motivo: deputados visitando suas bases para lembrar o CORONELISMO da República Velha. Na quinta-feira, por exemplo, por meio de uma resolução de mesa, foi decidido que não iria à pauta nenhum projeto de RELEVÂNCIA. Sabem a causa? Para os deputados prolongarem seus fins de semana e poder COLHER seus votos no interior do estado.

Enquanto estou escrevendo esse texto, acabo de receber a informação de que os PRINCIPAIS projetos foram retirados do regime de urgência e só serão votados ano que vem. Desisto.



Tirem suas impressões,
Rodrigo Azevedo

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